Análise Pragmática Aplicada a Projetos & Gerenciamento de Projetos Orientado a Efeitos.

Por Rodrigo Campos
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É relativamente comum em projetos, de variados portes e fins, que ações planejadas, mesmo que bem executadas, possam gerar resultados não esperados. Esses resultados podem ser negativos ou positivos.

Os “resultados inesperados”, que julgo mais apropriado chamar de “efeitos” para criar uma distinção em relação aos resultados (objetivos) declarados no planejamento do projeto, podem não ser percebidos pela equipe envolvida no projeto, visto que, na abordagem clássica de gerenciamento de projetos, eles só se tornam visíveis após à sua conclusão.

Considero esses “efeitos” como subprodutos, ou resíduos, gerados pelos projetos. De maneira análoga, as indústrias tradicionais também geram e têm que tratar os seus resíduos. Aquelas mais bem preparadas conseguem aproveitamento deles e obtem lucros, quando favoráveis, ou anulam e reduzem prejuízos, quando não são.

Esse hiato, em parte, se explica pelo fato que boa parte das metodologias de gerenciamento de projetos disponíveis dão ênfase aos resultados declarados como desejados, e desconsideram o efeitos obtidos, mas não planejados.

Quando um projeto termina existe um julgamento que extrapola o seu aspecto técnico. Ocorre a avaliação na organização se ele deveria ter existido e se foi executado corretamente. O resultado dessa avaliação oferece a medida do sucesso organizacional do projeto. Isso incorpora uma grande dose de subjetividade, pois não há método formal para sua aferição.

Tomando como referencia o PMBOK que, é um conjunto de práticas em gerencia de projetos que constituem a base da metodologia do mundialmente respeitado Project Management Institute (PMI), dá ênfase ao gerenciamento da integração, escopo, tempo, custos, qualidade, recursos humanos, comunicação, riscos e aquisições do projeto. Essa metodologia define – “um projeto é considerado um sucesso quando ele alcança o(s) seu(s) objetivo(s) dentro do escopo, custos e prazos estimados e com a qualidade esperada”.

Essa abordagem pode garantir o sucesso técnico do projeto, mas não o seu sucesso organizacional. Com isso, não pretendo diminuir a contribuição dessas metodologias para a melhoria dos projetos – isso é inquestionável.

Foi a partir do questionamento desse cenário que busquei alternativas à abordagem clássica de gerenciamento e me tornei adepto da Análise Pragmática também em projetos.

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A Análise Pragmática baseia-se em pressupostos derivados do pragmatismo, doutrina filosófica fundamentada no pensamento do filósofo americano Charles Sanders Peirce, que privilegia os resultados das ações como fonte de significado dessas ações e estabelece a comunicação intersubjetiva como meio preferencial de controle da objetividade de qualquer percepção.

Ela também deriva das idéias do sociólogo americano Erving Goffman que defende que qualquer evento pode ser descrito em termos de um foco…Diferentes interesses vão…gerar diferentes relevâncias motivacionais. Combinando-se os modos de ver de Peirce e Goffman, podem-se estabelecer os fundamentos da Análise Pragmática. Aplicando-se esses fundamentos ao gerenciamento de projetos, alinhados com a visão multidimensional sobres resultados e efeitos, nasce a Análise Pragmática Aplicada a Projetos (APAP) e o Gerenciamento de Projetos Baseado em Efeitos (GPBE).

Qualquer pessoa ou organização, na sua mais simples rotina, que toma decisões no presente, baseia-se na expectativa de realização futura de um evento ou de uma conjuntura qualquer. No momento que aceitarmos que “decidir é posicionar-se em relação ao futuro”, tem-se aí a base racional para o desejo de conhecê-lo com antecedência, aí aplica-se a Análise Pragmática.

Entende-se por efeito – o resultado, acontecimento, ou conseqüência de natureza física, funcional ou psicológica que decorre de uma ação ou ações específicas,  operações planejadas, executadas, avaliadas e adaptadas para influenciar ou alterar sistemas e capacidades a fim de alcançar resultados desejados. Em complemento, ações são processos que produzem mudanças no mundo, com a interveniência de um elemento proativo identificado como a vontade de um ator. Ator é o ente físico ou conceitual cuja intervenção é necessária para realizar uma ação.

O Gerencimento de Projetos Baseado em Efeitos permite à organização concentrar-se nas condições desejadas “os efeitos” para alcançar objetivos designados, e a capacita a evitar pseudo-objetivos. 

Este texto não pretende esgotar um tema tão vasto numa primeira abordagem. Minha intenção é compartilhar minha visão sobre gerenciamento de projetos e conceitos que desenvolvi, e que hoje foram incorporados ao repositório de conhecimento do Allegro BG. Em breve, voltarei a discutir e detalhar mais esses dois conceitos, APAP e GPBE.

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Rodrigo Campos possui mais de uma decáda de experiência no mercado de tecnologia da informação. Atuou como colaborador, consultor e gerente de projetos sênior em projetos de alta criticidade nos segmentos da construção pesada, máquinas pesadas, previdência complementar, logística militar aeronáutica e bélica, entre outros. É fundador e o atual diretor presidente do Allegro Business Group.

9 Respostas

  1. Olá Rodrigo

    Estou escrevendo uma dissertação de mestrado na PUC-SP e gostaria de saber na sua opinião como o método do pragmatismo de Peirce pode ser aplicado numa análise sobre a maneira pela qual um meio de comunicação de massa afeta a conduta das pessoas produzindo novas crenças que vão balizar a conduta e criar hábitos de ação.

    Conto com sua opinião. Muito Obrigado. Haroldo Arruda Junior

  2. Caro Haroldo Arruda Jr.,

    em primeiro lugar, agradeço sua visita ao nosso Blog Corporativo.

    Com relação à sua pergunta, irei responder brevemente. Tomei a liberdade de encaminhar cópia do seu comentário ao Sr. Tacarijú Thomé de Paula Filho, colaborador com artigos no Blog e estudioso do tema “pragmática”.

    Grande Tacarijú,

    acredito que esta é uma oportunidade de expandir os horizontes da aplicação da “pragmática”.

    Forte abraço!
    ______________
    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    “Fortitudine vincimus” – Sir Ernest Henry Schackleton

    Allegro Business Group

  3. Prezado Haroldo
    Aconselharia a leitura do Lucien Sfez e do Danilo Marcondes.
    Um abraço
    Tacarijú

  4. Prezado Rodrigo,
    Gostaria de saber quando o PMI publicou sua metodologia de gerenciamento de projetos. É possível indicar onde consigo comprá-la? O PMBOK eu já tenho, mas esta tal metodologia, eu gostaria de saber qual é.
    [ ]s

    Sombra

  5. Caro “Sombra”,

    mesmo não sabendo a quem respondo, responderei. Acho apenas interessante alguém que queira saber algo não ter a disposição de apresentar-se. Mas, minha posição é sempre informar, então, informarei.

    Não existe nenhuma metodologia minha publicada pelo PMI, sequer tenho esta intenção. O que proponho é a utilização de conceitos como a Análise Pragmática como ferramenta acessória ao processo de gerenciamento de projetos, que proponho seja orientado a efeitos. Inclusive, esse conceito pode ser usado de maneira acessória às metodologias já existentes, tais como o PMBOK, Ten Step, ou qualquer outra.

    Também não reinvidico a autoria dessa iniciativa, ou seja, a orientação a efeitos. Esse conceito já tem sido estudado e praticado há vários séculos em operações militares e por outros segmentos.

    Creio que meu papel seja apenas o de ser propagador e agregador desse conhecimento.
    Espero ter respondido sua questões.

    Obrigado por suas considerações.

    Cordialmente,

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  6. Caro Rodrigo,

    Li seu texto e confesso a você que apesar de atuar há algum tempo na área de GP e ler bastante sobre o assunto, a prática “Análise Pragmática Aplicada a Projetos” me é inteiramente nova! Desta forma gostaria de saber se poderia compartilhar outras referências bibliográficas sobre o assunto.

    Saudações,

    Claudia Garrido

  7. Trabalho interessante!!!

  8. Rodrigo,
    parabéns pela matéria. Muito interessante.

    Uma dúvida, o GPBE não seria a aplicação de uma metodologia de gerenciamento de projetos em uma organização que pratica gestão por processos?

    • Caro Wanderson Ávila,

      GPBE alinha-se também à gestão por processos, da qual sou defensor e praticante. Na verdade, acredito na aplicação de conceitos multidiciplinares para obtenção de resultados permanentes (efeitos). Porém, deixo claro que GPBE não é uma metodologia.

      Sinceramente, agradeço sua colaboração.

      Forte abraço!

      Rodrigo Campos
      Diretor Presidente

      Allegro Business Group

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