Por Tacarijú Thomé de Paula Filho

Recentemente, apareceram alguns artigos em revistas militares tratando das Operações Baseadas em Efeitos (Effects Based Operations – EBO), paradigma não tão recente do planejamento estratégico militar. Sun Tzu, Napoleão, Clauzewitz, sugeriam esse conceito em suas formulações, pouco lidas, ou eventualmente esquecidas por alguns estrategistas modernos. O que surpreende é o fato de esse assunto estar na ordem do dia das discussões sobre o planejamento estratégico nos EUA, ora com opiniões a favor, ora contra a EBO. O Tenente-Coronel Hunerwaldel (1) destaca as idas e vindas do pensamento estratégico americano, defendendo a EBO num artigo bastante esclarecedor publicado recentemente. O referido autor destaca a importância de se estar preparado para as conseqüências indesejadas de uma Operação Militar. Mais do que indesejadas tais conseqüências são de difícil antecipação. Geralmente, são pouco previsíveis, decorrendo de movimentos e tendências insuspeitados existentes num sistema complexo, no qual as concatenações causais não sugerem uma proporcionalidade entre suas intensidades e os resultados obtidos.
O Tenente-Coronel Hunerwaldel defende sua idéia de EBO, a partir de uma visão baseada no conceito de Complexidade, o qual está situado em oposição ao Pensamento Linear, que reduz a realidade a um mero recorte, desconsiderando outras possibilidades. O Filósofo francês Edgar Morin é um dos mais importantes divulgadores do conceito Complexidade, característica fundamental dos sistemas psico-sócio-culturais. Ele assim se refere à Estratégia e sua relação com a Complexidade:
“A complexidade atrai a estratégia. Só a estratégia permite avançar no incerto e no aleatório. A arte da guerra é estratégica porque é uma arte difícil que deve responder não só à incerteza dos movimentos do inimigo, mas também à incerteza sobre o que o inimigo pensa, incluindo o que ele pensa que nós pensamos. A estratégia é a arte de utilizar informações que aparecem na ação, de integrá-las, de formular esquemas de ação e de estar apto para reunir o máximo de certezas para enfrentar a incerteza.” (2)
1 - Air & Space Power Journal em português, abr. 2006.
Continua…(clique para continuar lendo)
Desde sempre, soube-se que os aspectos militares, políticos, econômicos e psicossociais deveriam estar presentes nas considerações estratégicas, marcando a definição de cenários e a escolha de objetivos. Introduzir considerações teóricas sobre a Complexidade provavelmente reforça o argumento sobre a incerteza da guerra, contudo não sugere um rumo seguro para o planejamento estratégico, nem tranqüiliza o Decisor sobre as indicações de seus Assessores. Este é o argumento dos grupos que criticam a EBO, acusando-a de modernismo sem densidade.
Quando se percorre o discurso favorável à EBO, descobrem-se alguns aspectos muito interessantes, que talvez não tenham sido alcançados por seus opositores em suas considerações. Refiro-me aos efeitos simbólicos de uma ação intencional, como a estratégica. Como se sabe, os efeitos de uma ação nem sempre correspondem à intenção daquele que age sobre a realidade. As percepções de quem sofre a ação e as dos seus possíveis observadores tendem a não se confundir entre si, nem com a intenção daquele que age, mesmo que estejam tratando do efeito físico da ação e sua relação com o planejamento global.
A invasão do Iraque é um exemplo de ação militar já bastante explorado, no qual curdos, iraquianos sunitas e iraquianos xiitas percebem a situação segundo pontos de vista quase sempre conflitantes entre si e com a intenção americana. Um outro exemplo pode ser visto nas relações econômicas entre o Brasil e a Bolívia, nas quais o jogo de opiniões entre os bolivianos que vivem nas montanhas não se confunde com aqueles que vivem nas regiões planas, isto é, não há uma unidade simbólica boliviana que interprete as relações com o Brasil do mesmo modo, ou mesmo a situação interna da Bolívia. Além dos naturais interesses de cada um desses grupos, há conflitos entre a herança cultural indígena, a
herança cultural espanhola e a herança cultural portuguesa, o que produz visões de mundo diferentes a reverberar sobre a unidade boliviana e sobre as relações entre a Bolívia e o Brasil. Portanto, todo cuidado é pouco com a Complexidade das relações internacionais.
______
2 - MORIN, E. Ciência com consciência. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. p. 101, 192.
______
Reafirmando, numa ação estratégica, além de um efeito físico, objetivo, há um efeito simbólico, subjetivo, fruto da interpretação de cada um dos envolvidos nesta ação. A questão, que se coloca, agora, dirige-se à possibilidade de existência de um recurso que ajude na antecipação de possíveis percepções sobre um acontecimento fruto de uma ação intencional.
O Dr. Alexandre Sérgio da Rocha escreveu um artigo, no qual defende a estreita relação entre a EBO e a Pragmática. Na verdade, situada no cerne da Complexidade, a Pragmática fundamenta teoricamente a tese dos efeitos simbólicos existentes na EBO. A Pragmática (3) pretende estudar os signos e sua relação com o seu uso concreto pelos falantes de uma língua. Vários lingüistas trabalharam esse tema e, mais recentemente, Charles Morris propôs uma teoria geral dos signos, que, além de uma sintaxe (estudo da relação dos signos entre si) e de uma semântica (estudo da relação entre os signos e a realidade a qual se referem), incorporaria uma pragmática (estudo dos signos em relação ao seu uso concreto).
Filosoficamente, de modo geral, a EBO é um conceito fundado no Pragmatismo. Esta visão de mundo considera que devemos dar mais importância às conseqüências e aos efeitos da ação do que aos seus princípios e pressupostos. Nele, o critério de verdade deve ser encontrado nos efeitos e conseqüências de uma idéia, isto é, sua valida (4) de está nos resultados obtidos. Esse é um paradigma que entra em choque com as leituras filosóficas da realidade cujo foco esteja nos princípios e nos pressupostos, dificultando, assim, um acordo sobre o conceito de verdade e sobre possíveis visões do presente e do futuro. Esta última pressupõe a coincidência entre a intenção do agente e o enquadramento formulado pelos atores, anulando imaginariamente o efeito da Complexidade.
Esse conflito está no âmago das discussões entre os teóricos da Estratégia nos EUA, parecendo reproduzir os embates filosóficos ocorridos na “Grécia pré-socrática” (500 a.C.) entre um “Heráclito”, defendendo o efeito vir-a-ser fruto da interação entre os opostos, e um “Parmênides”, contrapondo-se ao afirmar que mas que ainda rondam nosso inconsciente.
______
3 - Signo representa uma realidade, não sendo sua tradução literal, sua fotografia. Seu significado é sempre função do contexto de uso. O mesmo que símbolo de linguagem.
4 - Jupiassu, H., Marcondes, D. Dicionário básico de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.
______
As leituras do futuro dependem do desejo e do interesse de quem as faz. Inconscientemente, o desejo molda o interesse, que, por sua vez, escolhe uma das faces do prisma da realidade, para interpretá-la. Ser ou não ser… Cada um parte de alguns referenciais específicos fundados em relevâncias motivacionais que o Dr. Alexandre chamou de enquadramentos, reduzindo-se, assim, a complexidade da realidade a um de seus vários ângulos.
Contudo, a Complexidade oferece algumas ferramentas úteis ao analista:
“Segundo Goffman, para compreender-se a realidade aparente é preciso decompô-la em enquadramentos superpostos, cada um iluminado por interesses diferentes e cuja superposição cria um desenho contemplado como realidade – complexa, com elementos de fronteiras pouco nítidas, e muitas vezes contraditória. Para compreender o que acontece, precisamos separar esses enquadramentos para restaurar a lógica intrínseca de cada um deles (que pode estar em contradição com a lógica própria a algum outro enquadramento). Contudo, é preciso ter consciência de que, sozinho, nenhum desses enquadramentos representa a realidade; assim, não nos podemos livrar dos enquadramentos.” (5)
Em oposição, o Pensamento Linear, ao escolher um único ser, tende a se descartar dos demais ângulos da realidade, ou modos de ser, simplificando, ou reduzindo o universo avaliado. A Complexidade pretende intermediar essa tendência ao reducionismo, estruturando um quebra-cabeça cujas peças são as diferentes visões, que, afinal, reduzem a realidade a um de seus ângulos. Nessa abordagem, na medida em que se admite que as coisas da realidade estão interligadas como numa rede, o pragmatismo é superado, assim como o idealismo defensor dos princípios e pressupostos, unindo-se a intenção do estrategista aos efeitos simbólicos da ação.
Evidencia-se, assim, que a construção de cenários não obedece a um fundamento único, facilmente apreendido, e que possa pairar sobre as mentes dos estrategistas. Filosofia, Psicologia e Antropologia entrelaçam-se numa rede, na qual a posição subjetiva do estrategista o leva a escolher uma visão de mundo e a sustentar o porquê de suas deduções e interpretações. Um Analista identificado com os interesses do grupo político que está no poder interpretará um acontecimento de modo diferente de um outro identificado com a oposição, na medida em que escolherá um ângulo situacional que mais o favoreça. Portanto, desejo, interesse, fundamentação teórica, cenários, sentido das ações, resultados esperados, compõem o que se chamou no referido artigo de enquadramento.
______
5 - Air & Space Power Journal em português, dez. 2005.
______
O que tranqüiliza o neófito é o fato de que cada visão de mundo, isto é, cada enquadramento foi extraído de uma situação particular, que, de forma reducionista, validou o paradigma escolhido pelo Analista seduzido pelo unívoco. A Física talvez sirva como exemplo para esses aventados embates filosóficos, em que cada um trata a realidade segundo princípios e pressupostos particularíssimos, surpreendendo o Analista distante da Complexidade com efeitos ou conseqüências indesejadas e inesperadas. Nesta ciência, a Física Quântica, a Física da Relatividade e a Física da Atração Universal convivem em paz, apesar de suas diferentes “verdades” situacionais, ou explicações sobre a realidade a partir de um de seus ângulos específicos. O que a Física hoje pretende é descobrir uma linguagem que descreva esses diferentes “enquadramentos” da realidade, partindo de uma mesma “gramática”.
De qualquer modo, questões subjetivas criam um ambiente extremamente complexo de análise estratégica, na medida em que as interpretações da realidade variam de acordo com o enquadramento. O Dr. Alexandre assim se expressa sobre a alternância de paradigmas que sustentam princípios e pressupostos:
“Contudo, se alguém planeja uma aplicação de poder, deve ter algum conhecimento a respeito de como as coisas acontecem. Como esse conhecimento é por natureza teórico, é preciso que ele seja validado pela experiência real. Teorias boas e bem estabelecidas permitem-nos calcular os efeitos de algumas ações em um universo ideal que desconsidera todas as influências que a teoria não leve em conta. Nas ciências físicas, este tratamento revela-se freqüentemente bem sucedido. Contudo, a probabilidade de êxito diminui quando se trata de ações humanas que afetam pessoas.” (6)
Ao se falar de humanos, estamos falando de linguagem, de cultura. Com a inserção da Pragmática, desmorona-se um mundo de certezas decorrentes da análise do texto sem referência ao contexto. Esse relativismo assusta e surpreende os analistas ainda apegados às convicções ideológicas de todos os matizes, nas quais princípios e pressupostos garantem supostamente altas probabilidades para as conseqüências desejadas para as ações. Esse paradigma funciona de forma transcendental, situando-se aquém e além das circunstâncias, determinando presentes e futuros ideais. Transcendental aqui não se refere especificamente ao Divino, mas ao ideal imaginário que eventualmente antecede às ações, dando-lhes uma roupagem “sacralizada”.
______
6 - Air & Space Power Journal em português, dez. 2005.
______
Seguindo o rastro da tese do Enquadramento apresentada acima, reforçada pela imagem das contradições entre os pensamentos de Heráclito e Parmênides, é possível dizer-se que a Filosofia não é um campo neutro do conhecimento. Filósofos como Deleuze e Guatarri chegam a afirmar de um modo quase contundente que os embates filosóficos não contribuem em nada para a Filosofia, pois “(…) o mínimo que se pode dizer, é que eles não fariam avançar o trabalho, já que os interlocutores nunca falam da mesma coisa.” O interessante da afirmação situa-se no fato de as críticas que um filósofo faria a um outro partirem de pressupostos diferentes, impedindo o entendimento recíproco.
Assim, esses autores sustentam um impedimento ao que chamaram de conversação democrática universal. Na verdade, esse aventado impedimento serve para explicitar nosso argumento sobre as discussões acerca da EBO:
“Nada é menos exato e, quando um filósofo critica um outro, é a partir de problemas e de um plano que não eram aquele do outro, e que fazem fundir antigos conceitos, como se pode fundir um canhão para fabricar a partir dele novas armas. Não estamos nunca sobre um mesmo plano. Criticar é somente constatar que um conceito se esvaece, perde seus componentes ou adquire outros novos que o transformam, quando é mergulhado em um novo meio.” (8)
A compreensão dessa afirmação está na concepção da existência de planos, sobre os quais o discurso é distribuído. Assim, o filósofo medita sobre o plano transcendente e o plano imanente, procurando situar a criação de novos conceitos no plano de imanência, sempre com o cuidado de não referi-lo a outro plano de imanência, já que, neste caso, seria transportado para um plano de transcendência. Neste, o ideal estaria situado anteriormente às intenções e às avaliações do Analista, moldando sua percepção da realidade.
______
7 - DELEUZE, G, GUATARRI, F. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. p. 41.
8 - Ibid, 1993. p. 41.
______
O plano de transcendência elimina a singularidade do contexto, reduzindo as interpretações à monotonia do mesmo, independentemente do fluir dos acontecimentos. Num enfoque transcendente, as causas dos acontecimentos são reduzidas a algumas “verdades”, que encobrem a historicidade da relação existente entre os elementos do sistema psico-sócio-cultural, impossibilitando o surgimento de novas “regras para o jogo da vida”. De um outro modo, o plano de imanência limita-se ao contexto observado e a sua singularidade, obrigando ao analista a buscar os motivos dos efeitos observados, isto é, o motivo das conseqüências simbólicas das ações, na relação atual entre os elementos do sistema psico-sócio-cultural onde elas ocorrem.
Portanto, o guarda-chuva da Filosofia não seria suficiente para evitar os “respingos” do contraditório, na medida em que os próprios filósofos não se entendem. Diríamos o mesmo da Psicologia e da Antropologia, nas quais, por exemplo, a visão estruturalista da cultura singularizou o bem e o mal, demonstrando que o conflito seria entre o bom e o bem, não entre o bem e o mal. Muitas vezes, o que é considerado bom pela sensação individual, ou o que guarda em si uma expectativa de prazer, pode ser considerado um mal pelas regras da cultura, nas quais a religião tem enorme influência.
O pensamento ocidental foi grandemente influenciado pela Filosofia de Platão, na qual o mundo das idéias seria anterior a tudo, cabendo-nos produzir cópias, ou simulacros desta realidade. A expectativa da existência de um ideal anterior às ações povoa os sonhos e os pesadelos do homem ocidental até hoje. O ideal tem sido alimento das Religiões e das Ideologias, por motivos diferentes, mas com o mesmo resultado: Iraque, Irlanda, Palestina, Líbano, Turquia, Iugoslávia, e tantos outros exemplos espalhados pelos séculos da História deste lado do mundo o comprova.
No Oriente, basta lembrarmos o que se passa na Índia, na China, no Paquistão, na Indonésia, na Tailândia e com outros povos menos populosos. Portanto, a questão que se apresenta é que Platão pode não ser causa do modo ocidental de pensar. Talvez seja uma conseqüência do modo de ser idealizado, no qual o plano de transcendência domina o plano de imanência. Um estrategista platônico seria dogmático, acreditaria que sua percepção, ao ser alimentada pelo bem, produziria cópias da realidade, quando não, produziria simulacros. Para ele, seria possível conhecer a realidade inteiramente, reproduzi-la em sua mente como num espelho, falar e pensar sobre ela identicamente a todos que produzissem cópias. Seria possível replicar a mesma realidade sempre que se desejasse, afirmando ser científico o que pudesse ser reproduzido sob controle ao se dominar as causas do fenômeno e as condições da experiência. Bem, Heráclito dizia que “nunca se pesca duas vezes no mesmo rio”…
Em oposição, a Pragmática está no bojo da idéia de Complexidade, na qual o provável vai perdendo sua nitidez, na medida em que a sucessão dos acontecimentos se afasta da origem do movimento, isto é, da ação disparadora do movimento sistêmico próprio da realidade subjetiva. A Complexidade está em oposição à Ingenuidade, que acredita na possibilidade de se reconhecer a realidade física integralmente na realidade simbólica. A relação entre essas duas realidades é apenas de sentido, isto é, o que uma realidade física quer dizer para determinado grupo psico-sócio-cultural. Estamos, assim, diante da singularidade dos sentidos a criar complexidade nos planejamentos estratégicos.
Paradoxalmente, a Pragmática pode ajudar o Analista, ou pode, definitivamente, criar as condições favoráveis ao mal-entendido. Percorrendo seus caminhos, os próprios filósofos entram em conflito ao discuti-la. Parece uma compulsão à repetição, como diria Freud. Para se ter uma idéia, alguns admitem que a Pragmática impede o pensamento crítico, na medida em que este depende de parâmetros de validade supracontextual, a partir dos quais se julgará o contexto. Esse
fato parece confirmar as afirmações de Deleuze sobre o conflito entre um plano de transcendência “versus” um de imanência. (9)
______
9 - Marcondes, D. Desfazendo mitos sobre a pragmática. In: ALCEU, v. 1, n. 1, p. 38-46, jul./dez. 2000.
______
A Ingenuidade de alguns está no fato de a crítica ser considerada a partir de verdades absolutas, nas quais não está considerada a possibilidade de alternativas. De um outro lado da polêmica, Danilo Marcondes, filósofo brasileiro, assim se refere ao assunto, ao defender a Pragmática:
“A crítica pode ser exercida assim não necessariamente com base em uma verdade que fundamenta seus parâmetros, mas como um movimento reflexivo do pensamento, ou seja, como auto-exame, e também como exame de alternativas, no sentido do contraste entre posições e procedimentos adotados em um determinado momento ou contexto e outras possibilidades, reais, hipotéticas, a serem adotadas e experimentadas.” (10)
Mais à frente, em seu texto, esse autor aventa a possibilidade de uma relatividade sem relativismo; de um significado sem que qualquer palavra signifique qualquer coisa; um questionamento à concepção realista da ciência, sem inviabilizar a coisa; a uma recusa do caráter absoluto da ética, sem abrir mão da ética. Isto é Complexidade. Isto é o que viabiliza pensar que, na Bolívia, o bem-comum desliza seu significado ao descer da montanha, assim como acontece no Iraque, próximo à Turquia, quando este bem troca de vestimenta ao se afastar do Iraque próximo ao Irã.
Acreditamos que as discussões entre os estrategistas americanos derivam da posição subjetiva dos diferentes sujeitos diante da realidade, tal como procuramos mostrar neste artigo. Provavelmente, o mesmo pode estar ocorrendo com pensadores brasileiros da Estratégia. O cuidado é que, se Platão foi iludido pelo ideal do mundo das idéias, também nós, sujeitos comuns, podemos sê-lo. Se pensarmos numa ação estratégica, a ilusão de sabermos a verdade será um contrato com a derrota, embora, paradoxalmente, a complexidade da EBO não garanta a vitória.
Finalizando, gostaríamos de fazer uma reflexão:
“A verdade absoluta está nos desígnios de Deus. Tais desígnios nos são totalmente desconhecidos. Se os conhecêssemos, diante da certeza, perderíamos a fé.”
…
Tacarijú Thomé de Paula Filho é Coronel-Aviador da reserva da Força Aérea Brasileira e Mestre em Ciências Aeroespaciais, além de possuir formação em psicologia.
Arquivado em: Análise Pragmática Aplicada a Projetos, Gerenciamento de Projetos, Gerenciamento de Projetos Orientado a Efeitos | Etiquetado: efeitos, gerenciamento, operações, pragmática, projetos




Coronel e Mestre:
A profundidade com a qual o tema foi tratado, nos ajuda a reletir sobre príncipios pragmáticos e dogmas até então seguidos como orientações únicas em nossa vida (pessoal e profissional).
Parabéns por esta ampla análise.