Formação de Equipes.

Por Rodrigo Campos

 

Recruta-se homens para jornada perigosa. Salários baixos, frio extremo e longas horas de escuridão completa. Retorno em segurança duvidoso. Em caso de sucesso: honra e reconhecimento - Ernest Shackleton.” Este foi o anuncio de recrutamento feito para Expedição Imperial Transantártica de 1914.

É possível que tanta sinceridade cause espanto ainda hoje. Em 1914 esse anuncio atraiu mais de 2 mil candidatos.

Somos induzidos e nos permitimos acreditar em benefícios que podem nem existir. O risco é ser seduzido pelo “canto da sereia”, onde a realidade é disfarçada por promessas e expectativas que nos levam ao encontro de situações indesejadas. Nestes casos, não é prudente esperar gratidão quando a verdade se apresentar.

A formação de uma equipe começa na idealização do propósito a ser alcançado. Continua no planejamento onde é feita a declaração dos resultados desejados, a definição de métodos, métricas e recursos e a quantificação de esforços e riscos. Segue pela execução com o aproveitamento e desenvolvimento das habilidades individuais e coletivas, gestão dos recursos disponibilizados e superação de imprevistos. Ao final, têm-se um conjunto de informações e de novas habilidades que podem ter aproveitamento posterior.

A escolha do “Chefe” é de grande importância, pois, a ele cabe a responsabilidade pelo êxito. É dele que serão cobrados em última instância resultados e explicações. A sua escolha deve ser baseada na confiança que seus patrocinadores depositam na sua capacidade. Devem ser observados critérios, tais como; liderança, ética, caráter, confiança, experiência, objetividade, motivação, determinação, coerência, persuasão e autocrítica. A ele devem ser dadas informações, recursos e instrumentos adequados para que o sucesso desejado possa ser alcançado.

O planejamento criterioso é quem cria condições para antever as habilidades (pessoas) e recursos (insumos). Quando pouco cuidadoso, a preparação é substituída pelo improviso, o que potencializa problemas. Saber onde e como se quer alcançar seus objetivos encurta o caminho entre idéia, desejo e realização.

No recrutamento é fundamental deixar claro aos candidatos o que se deseja alcançar, como se pretende fazê-lo, quais são os reais desafios e riscos e recompensas possíveis. Pactuar com esses objetivos, desafios e riscos deve ser uma escolha consciente.

É preciso ter bem definidos para cada função os seus requisitos (capacidade, esforço, conhecimento e experiência). Tão importante quanto esses requisitos são as características (lealdade, caráter, motivação, humor e altruísmo).

Recebi um texto que retrata com sábia simplicidade o diálogo entre um Mestre e o seu Pupilo. Esse diálogo, que transcrevo a seguir, sintetiza o motivo pelo qual recomendo a mesclagem de profissionais experientes e novos: “Mestre, como faço para me tornar um sábio? Boas escolhas, responde. E, como fazer boas escolhas? Experiência, diz o Mestre. E como adquirir experiência? Más escolhas, concluí”.

Outro cuidado que tenho ao formar minhas equipes é o de não incluir ou manter nelas pessoas excessivamente pessimistas, fatalistas ou os infelizes azarados. Profissionais com esse tipo de postura contaminam todo o ambiente e fazem cair a produtividade do grupo. A produtividade individual deles também é menor, pois, acreditam que o mundo lhes deve algo e sempre fazem uso desses “pretensos créditos” como parte das suas contribuições.

É ainda necessário que exista coerência entre a equipe e a organização. A equipe deve refletir e seguir características próprias da organização onde está inserida, mas ela também deve ser um fator de mudanças. Sob o ponto de vista da organização, a equipe não é um fim, mas um meio para se atingir determinado propósito.

É preciso que exista confiança na relação entre os membros da equipe. Neste aspecto, cabe mais ao líder criar entre os seus liderados esse tipo de consciência. Não se faz isso com palavras, isso se cria com ações e com o cumprimento dos compromissos firmados, além das decisões tomadas diante de diversidades.

Pessoalmente, creio que a formação de uma equipe se inicia antes do recrutamento e não termina com ele. Essa é a atividade mais constante e desafiadora daquele que se dispõe a empreender desafios e a liderar pessoas.

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Notas:

A escolha do tema desta semana foi feita com base na recomendação do Sr. Helson Costa, colaborador frequente deste Blog e editor do Blog Gerência Prática (http://gerenciapratica.blogspot.com). Também agradeço ao Sr. Wilson Carlos Lopes (Wil) o envio do texto sobre o diálogo do Mestre e o seu Pupilo.

Para quem se interessar, recomendo a leitura de um artigo que escrevi que trata da história do naufrágio do Endurance, que é um exempo de dedicação à equipe, basta um clique aqui. Informações biográfias sobre Ernest Henry Shackleton podem ser obtidas por consulta a Wikipédia, no link: | Shackleton |

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Rodrigo Campos .:. Diretor Presidente do Allegro Business Group. Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.

Plaxo

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Direito Autoral

21 Respostas

  1. Caro Rodrigo,

    agradeço sua atenção e dedicação à minha solicitação, que já era algo que queria fazer há tempos no meu blog e, quando você abriu caminho para solicitações de parceiros, achei que tinha encontrado o caminho ideal para gerar algo rico, bem estruturado e absolutamente necessário como contexto diário, pois essa é uma característica irrefutável de seus conteúdos, os quais sempre transparecem experiência, clareza e satisfação na leitura.

    Abraço e parabéns.

  2. Caro Helson,

    seja sempre muito bem vindo!

    Sou eu quem deve lhe agradecer pela oportunidade de abordar um tema tão rico e inaugurar uma nova fase de interatividade no Bog Allegro. Fique á vontade para fazer novas sugestões. Aproveito para agradecer-lhe a citação no Blog Gerência Prática, que volto a recomendar aos nossos pares por seu excelete conteúdo, http://gerenciapratica.blogspot.com.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Capos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  3. Caro Rodrigo Campos;

    Primeiramente gostaria de parabeniizá-lo pelas excelentes matérias que tem disponibilizado no Plaxo. Certamente elas agregam valor.

    Quando comentou sobre pessoas pessimistas, fatalistas ou os infelizes azarados você foi muito acertivo. Sou especialista na área de segurança e gerenciamento de riscos e desde que entrei para essa área, tive a oportunidade de lidar com uma série de pessoas com esse perfil e todas elas cedo ou tarde acabaram deixando a função. Citei oportunidade, porque graças a essa experiência, sei como se comporta um profissional com esse perfil e realmente contaminam todo o grupo.

    Muito obrigado e tenha um bom dia!

  4. Caro Douglas,

    começo agradecendo suas considerações sobre o conteúdo que tenho disponibilizado. Faço com a intenção de compartilhar experiências e agregar valor. É justo reconhecer que também tenho aprendido muito, pois, os comentários e debates que se seguem aos textos são fonte de conhecimento.

    Com relação aos perfis citados, concordo com suas colocações. Tive experiências e pude observar o impacto na equipe. Na próxima semana, atendendo a sugestão do Sr. André Maia, irei abordar as relações de poder nas equipes, entre elas, o “poder dos fracos” que é muito maior que inicialmente supomos.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  5. Prezado Rodrigo,

    Mais uma vez, um excelente artigo. Estou certo de que será proveitoso a todos os que tiverem a oportunidade de ler!

    Aproveito para agradecê-lo! Sinto-me entusiasmado com a forma com que seus textos vêm contribuindo para o meu crescimento pessoal e profissional!

    Um forte abraço,
    André

  6. Caro André Bechuate,

    seja sempre muito bem vindo!

    O empenho para escrever esses textos é recompensado pela oportunidade de contribuir com profissionais que buscam crescimento.

    Aproveito esta oportundade para agradecer a sua dedicação para leitura dos meus textos e também a sua disponibilidade para registrar suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  7. Prezado Rodrigo,

    Os três pontos que mais me chamaram a atenção em seu texto, formam um mix, que hoje, acredito ser o grande problema das corporações.

    1 – “O canto da sereia”;
    2 – O pessimismo acentuado;
    3 – E a continuidade da formação de equipe;

    Quem de nós em algum momento da vida não ouviu o canto da sereia, em qualquer um dos segmentos da vida? E isso é perfeitamente natural.
    A permissividade do primeiro erro é inerente a nossa humanidade. Más escolhas, conduzem a escolhas mais reflexivas, melhor ponderadas e com mais possibilidades de acerto.

    O problema é o quando o erro, na expressão do meu velho pai, “burros n´água”, tornam-se a sombra oculta no pensamento do profissional, quiça na vida inteira de um individuo.
    E francamento creio que a divisa do pensamento responsável para o paranóico, pode ser um pequeno passo para algum dos pontos cardeais.

    Com isso as boas equipes tomam para si, a responsabilidade de “re-unir”, reunificar esse indíviduo a idéia central e corrente daquela comunidade.

    Se isso torna-se fato notório e contumaz, esse “pessimista” pode e deve ser admoestado, pelos seus pares, com bom humor e carinho.

    Finalmente aonde quero chegar com a minha afirmação inicial que as corporações sofrem com isso?
    Filosofando, creio que passamos por uma crise de valores que urgem na mudança de nossa visão acerca do “outro”, àquele a poucos metros de onde estou, não é um elemento estranho, e sim é meu par, meu igual. Ora, se dentro de alguns ambientes de trabalho, não conseguimos exercitar essa visão, se na nossa própria equipe não conseguimos aceitar as qualidades e limitações de nossos companheiros, como vou espelhar isso na sociedade ao meu redor?

    Conheço centenas de excelentes profissionais técnicos. E vejo equipes que não chegam a lugar nenhum, com profissionais reconhecidamente bons.
    Porque?
    Equipe é um organismo uno, com as suas diferenças, claro!
    Mas que a FORMAÇÃO é constante, construída day-by-day.
    Com risadas, brigas, diferenças, um ou mais PRODUTOS, e com LIÇÕES APRENDIDAS, para a vida profissional e humana.
    Tudo que sou transforma o ambiente que vivo.
    Tudo no ambiente que vivo, transforma quem eu sou.

    Abian.

  8. Caro Abian,

    seja sempre muito bem vindo!

    Como sempre, suas considerações são ricas em reflexões.

    No contexto atual, creio que o “canto da sereia” tenha se tornado um coro ensurdecedor. Vejo nisso o maior problema, pois, o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, e por aí vai, erros são cada vez mais possíveis. Por esse motivo, citei “somos induzidos e nos permitimos acreditar”. É preciso termos (me incluo) maior consciência e registro efetivo do aprendizado.

    Concordo com o que observou sobre a tênue separação entre o pensamento responsável (consciente) e o pensamento paranóico (obsessivo). É preciso cuidado para não ver o mundo como sendo uma conspiração universal contra você. Equilíbrio e bom senso são fundamenteis. Não podemos culpar o todo pelo erro de alguns, sobretudo, sendo que o erro é uma característica da condição humana, assim como é a escolha e o aprendizado.

    Com relação aos perfis, apenas esclareço que me refiro aos extremos e ao que resiste após as tentativas do acolhimento que citou. Existem aqueles que tiveram traumas que são superáveis e situações onde isso não é possível por questões de índole. Cria-se dessa maneira uma guerra interna na equipe, que é totalmente improdutiva. Essa guerra deixa sempre feridos pelo “fogo amigo” e não raramente faz vítimas.

    Concordo absolutamente com a sua conclusão, pois, vejo claramente essa crise de valores.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  9. Rodrigo.

    Muito boa sua reflexão sobre a formação de equipes.

    Vejo nas entre-linhas do seu texto, o equilíbrio que se deve buscar entre a forças entre a sedução na captação de pessoas, Os objetivos do projeto, os objetivos pessoais e a energia captadas junto com as pessoas.

    Contudo, o exito não é mérito do lider e sim da equipe. Ao lider cabe a mediação de conflitos e o provimento recursos.
    O grande exito está em achar a pessoa certa para o lugar certo e a este cabe fazer a coisa certa na hora exata.

    Gostaria de sugerir a abordagem do tema “Administração do jogo do poder entre entre menbros da equipe”

    Um abraço.

    André Maia

  10. Caro André Maia,

    começo agradecendo suas considerações.

    Busquei propor a reflexão entre objetivos, necessidades, escolhas e efeitos no processo de formação de uma equipe. Reconheço que esse tema é bem mais amplo e que pretendo continuar abordando em futuros textos.

    Com relação ao mérito do líder e da equipe, concordo com você – ele é de todos. Porém, no texto, procurei enfatizar a responsabilidade formalmente constituída do “Chefe”. Embora todos possom contribuir e ser solidariamente responsáveis, é ele quem deve dar explicações aos seus patrocinadores. o Chefe pode delegar atividades, mas não esta responsabilidade.

    Obrigado pela da sugestão do tema e já na próxima semana irei abordá-lo.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  11. Olá amigo gostei do seu artigo. Para isso é que devemos usar a net.

  12. Caro Valdemar,

    A net nos oferece a oportunidade de compartilhar e ao mesmo tempo nos impõe a responsabilidade da escolha daquilo que iremos consultar.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  13. Eu com certeza seria um candidato a esta vaga no anuncio no início da matéria.

  14. Caro Fernando,

    seja sempre muito bem vindo!

    Sua afirmação indica seu espiríto empreendedor. Certamente, sua escolha seria consciente.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  15. Prezado Rodrigo,

    O seu blog está se tornando o companheiro de jornal e café pela manhã.
    Essas refelxões e esse bate papo, têm enriquecido todos que aqui comungam.

    Continue.

    Fraternais Abraços

    Abian

  16. Caro Abian,

    Suas palavras já são um grande incentivo para fazê-lo.

    Que possamos contribuir para um mundo mais justo e perfeito.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  17. Caro Rodrigo,

    Pertinente o tema abordado, já que formação de equipes é uma atividade constante nas organizações, pois o que não faltam são projetos, um após o outro.

    Sua abordagem sobre o “canto da sereia” foi correta, pois certa vez como líder de equipe, me deixei seduzir pelo canto do diretor da empresa e ecoei para os novos membros as possibilidades que o sucesso do projeto traria.

    Após certo período, viu-se que a realidade estava disfarçada e as expectativas foram frustradas. Porém quem deve dar a “cara pra bater” é o líder da equipe, pois a confiança e respeito depositados em seus liderados se estende sobre qualquer circunstância. Transparência sempre!!!

    Essa foi uma experiência negativa que me ocorreu e aprendi muito sobre a euforia que nos toma em relação à algumas ambições fora de propósitos.

    Parabéns a você pela forma clara que traduz o tema e também ao colega Helson pela recomendação.

    Grande abraço.

    Ricardo Pernambuco

  18. Caro Ricardo,

    seja sempre muito bem vindo!

    Também já tive algumas experiências com o “canto da seria” e sei quanto problema isso pode potencializar na equipe. Em alguns casos, os danos chegam a ser irreversíveis. Mas, quem o escuta uma vez normalmente não é seduzido por ele novamente.

    Esse texto inaugura uma fase de maior interatividade no Blog Allegro. Na próxima semana irei abordar um tema recomendado por outro colaborador. Fica aqui o convite para que você também faça sugestões de temas.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  19. Caro Rodrigo

    Muito oportuno seu texto às vésperas do dia do trabalho, que é sempre uma boa hora para este tipo de reflexão. Você abordou os assuntos com perfeição e na falta de qualquer reparo a fazer, só me resta parabenizá-lo. Li hoje na revista Super Interesante de maio/2008 uma entrevista com Tom Hodgkinson, escritor inglês que defende algumas idéias ortodoxas sobre o trabalho, mas não exatamente erradas. Peguei um gancho no artigo para lançar o debate em meu blog.

    Seus escritos estão contribuindo bastante para abrir discussões sempre muito positivas sobre trabalho, equipes e condução de projetos.

    Abraços…Marcelo Dutra

  20. Caro Marcelo,

    começo agradecendo as suas considerações.

    Gostei muito do seu post “O trabalho” e recomendo aos nossos pares que o leiam no Blog http://mfmdutra.wordpress.com. Não conhecia o autor Tom Hodgkinson, mas sou estudioso e adepto ao ócio criativo, defendido pelo sociólogo italiano Domenico Demasi. Concordo absolutamente com o que disse: “Que cada um viva como gosta e como pode, sendo responsável por si e pelos seus. A verdadeira liberdade está em não seguir padrões pré-estabelecidos, nem de um lado nem de outro.”

    Parabéns pela abordagem!

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

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