Por Rodrigo Campos
Há algum tempo li por indicação de um amigo as memórias de Roberto Campos, ex-seminarista, economista, diplomata e político brasileiro reconhecido mesmo por seus desafetos como uma das maiores personalidades do Brasil contemporâneo.
Bob Fields, como também era conhecido, teve brilhante carreira diplomática e política, tendo sido Embaixador, Deputado Federal, Senador e Ministro de Estado.
Sua experiência foi relatada a próprio punho em dois livros sob o título Lanterna na Popa. A leitura dessas memórias elucida importantes capítulos a história brasileira e internacional da qual foi observador, coadjuvante e não raramente protagonista.
Seus relatos caminham por fatos como a segunda guerra mundial, industrialização brasileira, pós-guerra, criação do Banco Mundial, guerra fria, criação do BNDE, criação da Pretrobras, milagre econômico, constituinte de 1988, privatizações, entre muitos outros. Além desses fatos, sua própria história de vida é um notável exemplo.
Entre as muitas histórias relatadas, destaco uma que envolvia diretamente o ex-presidente americano Kennedy, líder do qual foi próximo, que transcrevo a seguir:
- E o senhor, pessoalmente, perguntou-me Kennedy durante a crise dos mísseis em Cuba – como se sente aqui em Washington, na “mosca” de tiro dos projéteis russos? Eu, pelo menos, tenho os subterrâneos de Camp David… – Refugiar-me-ei na adega da embaixada – respondi-lhe – pois acredito no provérbio francês: “Entre a calamidade e a catástrofe há sempre lugar para uma taça de champanhe”. Kennedy riu gostosamente e pediu que um dos assistentes para anotar a piada.
É com essa proximidade que este e outros fatos são relatados por ele, que foi confidente e interlocutor de líderes como Adenauer, De Gaulle, Richard Nixon, Margaret Thatcher, intimo de Nelson e David Rockfeller e no plano nacional conviveu com Juscelino Kubitschek, João Goulart, Castelo Branco, entre outros.
Mais do que me ajudar a entender o presente pela compreensão do passado, a leitura desses livros influenciou meu modo de ver o futuro. Transferi a lanterna da popa para a proa, por assim dizer. Isso fez aumentar ainda mais a convicção que já nutria sobre a importância de compartilhar experiências.
Usando outro termo náutico, acredito que a experiência funciona como um Farol visto do mar pelos navegantes, pois, ela provê orientação quanto à direção para um caminho seguro e já experimentado. A percepção da importância do Farol muda de acordo com as condições de navegação e o bom senso do navegador.
Reconheço que a experiência é fruto direto do experimento. O caminho sempre será feito caminhando. Entretanto, sou favorável ao compartilhamento dos caminhos jás experimentados, o que não impede a busca por rotas alternativas.
Hoje temos à disposição facilidades nunca antes experimentadas. Cito o exemplo do fenômeno Social Media, que nos permite ser leitores e ao mesmo tempo produtores de conteúdos na Internet. Cito os softwares sociais (wikis, blogs, podcasts, instant messenges) que nos permitem a distribuição de informações de uma maneira rápida e eficiente. Com esses recursos temos ampliada em muito a luminosidade e alcance dos nossos faróis.
Pessoalmente, sou contrário ao entendimento: “A experiência é um farol virado para dentro“, frase atribuída ao escritor Pedro Nava. Meus esforços serão sempre no sentido contrário, pois, acredito que a experiência deve ser o Farol que nos indica um caminho seguro ou, no mínimo, a lanterna posta na proa para nos dar direção.
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Notas:
Informações biográfias sobre Roberto de Oliveira Campos podem ser obtidas por consulta a Wikipédia, no link: | Roberto Campos|.
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Rodrigo Campos .:. Diretor Presidente do Allegro Business Group. Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.
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Prezado Rodrigo.
Ser o “farol de proa”, independente do calibre de sua chama, é sem dúvida, algo que todo grande homem ou grande mulher deve ter como precípuo.
A todos os meus mestres, isso inclui serventes, pedreiros, mecânicos, empregadas domésticas, enfim pessoas que me ensinaram algo que me vez ter uma visão mais apurada, os mestres os formais e não formais, àqueles que nem sabiam que estavam sendo, serei eternamente grato
Abian M. Laginestra.
Caro Abian,
concordo absolutamente com suas colocações. Todas as pessoas têm experiências, mas nem todas têm a intenção ou a consciência de compartilhá-las. Àquelas que compartilham chamo de “sábios do dia-a-dia”. Como seria bom se mais e mais pessoas o fizessem…
Forte abraço!
Rodrigo Campos
Diretor Presidente
Allegro Business Group
Caro Rodrigo,
Paira uma questão semântica. Um farol pode ser como o de nossos carros, que ilumina o caminho à nossa frente. Pode, também, ser como o farol náutico, que fica sobre os pontos perigosos, sobre rochedos e atóis para nos alertar.
Nesta nossa segunda concepção, a experiência serve mais aos outros do que ao “farol”. Na primeira, serve ao experiente.
Ou será que a experiência funciona ora como uma coisa, ora como outra?
Aloysio
Caro Aloysio,
sua colocação completa o sentido que desejei dar a expressão farol. Creio que ao iluminar o farol serve tanto ao navegante, quanto a ele próprio. Serve ao navegante que busca orientação e a obtém e também ao próprio farol, pois, cumpre o seu propósito e respeita sua natureza.
Forte abraço!
Rodrigo Campos
Diretor Presidente
Allegro Business Group
Prezado Rodrigo,
é muito importante quando possuímos um “farol” para orientar a navegação de nossas vidas, mas,
é extremamente gratificante quando podemos ser “o farol” na vida das pessoas, creio que este momento é conquistado com muito amor.
É um momento mágico quando podemos compartilhar experiências.
Lindo Texto.
M.Bacelar
Aloysio e Rodrigo,
De forma mais literal a luz de proa de uma embarcação (lanterna de proa) possui as duas utilidades que Rodrigo escreve em sua resposta; oferecendo segurança a todos os navegantes, tanto aquele que a ostenta como aos que o rodeiam.Assim também deve ser a experiência que deve dar suporte a quem a possui e a todos que possam usufrui-la.
O conhecimento não compartilhado é como um tesouro enterrado e escondido, valioso mas inacessivel.
Rodrigo,
Parabéns pelo texto!!! Muito inspirado e muito inspirador.
Grande abraço,
Tulio.