Vitória – A Lição do Esporte para o Mundo Corporativo.

Por Rodrigo Campos

O sucesso corrobora uma trajetória, enquanto a vitória evidencia um momento.

Ao assistir o Grande Prêmio da Turquia de F1 2008 me chamou atenção a comemoração de dois pilotos brasileiros. Um comemorava sua corrida de número 257 e o outro sua vitória, a 3ª consecutiva naquele circuito. A comemoração de um era mais contida, enquanto a do outro completamente visceral.

É inegável que ambos têm trajetórias bem sucedidas. Obtiveram notoriedade em suas profissões, ajudaram seus familiares, constituíram suas próprias famílias e alcançaram êxito financeiro. Em propósitos, possuem ambições diferentes. Aquele que comemorou sua 3ª vitória, o mais novo, admite parar de correr quando não se sentir mais “competitivo” – ele quer ser campeão. O outro se propõe a celebrar cada participação subseqüente ao record 257 como vitória pelo fato de se manter “ativo”.

Este exemplo que, pode bem representar comportamentos corporativos e individuais, é marcado por pontos comuns, ambição pela vitória e motivação pessoal, cada qual com sua perspectiva e medida.

Se a motivação vem do desejo da vitória, alcançá-la torna-se uma meta e obtê-la um marco. Creio que seja por isso que as corridas possuem pódio e a cerimônia de entrega de troféus. O reconhecimento mantém equipes e pilotos motivados, além, claro, dos grandes prêmios e recompensas oferecidas.

No mundo corporativo as vitórias estão sendo pouco celebradas. É como se fossemos o piloto de F1 que, ao ganhar uma corrida, sem sair do cockpit, tivesse que iniciar imediatamente outra. Outra analogia possível é o boxeador que, após nocautear seu adversário no 12º round, vê subir ao ringue um novo adversário descansado com quem deverá iniciar nova luta. Assim, com o tempo, pilotar ou lutar tornar-se algo “cinza” mesmo para o melhor dos esportistas.

É assim que explico boa parte da apatia que encontramos no mundo corporativo. É comum que o fim de um projeto, por mais trabalhoso que tenha sido, termine com um breve aperto de mãos e outro seja imediatamente iniciado. Alguns chamam isso de profissionalismo com base no conceito que todos ali foram “pagos”.

Volto a buscar na F1 para um grande exemplo de motivação. O que querer depois de ter alcançado tudo? O “Chefe”, como era conhecido entre os colegas, Ayrton Senna, provavelmente diria: “Querer mais!”. É difícil falar em vitória sem recordar suas conquistas com as quais também nos sentíamos vitoriosos.

A sensação da vitória nos deixa sedentos por novamente alcançá-la. É essa motivação (energia) que tem sido negligenciada. É para isso que chamo atenção. Não estou sugerindo que se abra uma Champagne a cada marco conquistado (o que não seria má idéia), mas que eles sejam reconhecidos.

Acredito que devemos criar marcos para nossas empresas, equipes e carreiras e celebrar nossas vitórias para que elas não sejam esquecidas. É isso que eterniza esses momentos. Só assim poderemos recordar aquilo que foi importante em nossas trajetórias, o que fazemos em dias difíceis ou de saudável nostalgia.

_____________

Notas:

Recomendo vídeos sobre Airton Senna disponibilizados no YouTube, sendo eles:      |  Recordação  |  Entrevista GP Brasil  |  Vitória Compartilhada  |  Conselhos  |
Em especial, recomendo a entrevista dada por ele ao programa Roda Viva, em 1986, no seu 3º ano de F1, aos 26 anos. Ele já era campeão sem ainda ser: |  1  2  3  4  5  |

_____________

Rodrigo Campos .:. Diretor Presidente do Allegro Business Group. Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.

Plaxo

_______________________________________________________    
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Direito Autoral

13 Respostas

  1. Sábias palavras as suas meu caro Rodrigo.

    Penso que essa postura além de cordial, tem caratér fundamental para minimizar a rotatividade de funcionários que encontramos às vezes. Como costumo dizer, o segredo de qualquer negócio está na pessoa humana, logo, a satisfação de meu cliente interno determinará o êxito para meu cliente externo.

    Ações pequenas, do tipo lições aprendidas, são no mínimo reflexivas e nos levam à busca de nosso melhor.

    Um cordial abraço.

  2. Caro Cleber,

    seja sempre bem vindo!

    Concordo com suas colocações e complemento dizendo que esse tipo de postura também é importante para o empregador, pois, além de garantir um giro menos de funcionários, provê razão para a existência da sua empresa e o empenho e comprometimento que as suas atividades exigem dos seus colaboradores.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  3. Querido Rodrigo,

    Adorei este texto!

    Concordo que todas as vitórias sejam elas grandes ou pequenas merecem uma comemoração mesmo que singela.

    Muitas vezes um caloroso agradecimento faz milagres, pois este é o momento em que nós somos “energizados” e poderemos assim prosseguir com muito mais amor para o próximo desafio.

    Os campeões são motivados por desafios e vitórias , assim deveria ser no mundo corporativo.

    Parabéns
    Maria Bacelar

  4. Estimada Maria Bacelar,

    me senti energizado por suas gentis considerações. A motivação é realmente um fator crucial para o sucesso, seja ele profissional ou pessoal, se é que seja possível separar um do outro.

    Vamos celebrar bem as nossas vitórias para assim nos fortalecermos na busca de novas conquistas.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  5. Assim como no Brasil, nas corporações os donos de grandes feitos são pouco reconhecidos. Talvez seja até pior, pois em nosso país, os grandes ídolos ainda recebem alguma homenagem (geralmente após sua morte). Em muitas empresas nem isso…

  6. Caro Kraemer,

    Seja sempre muito bem vindo!

    É contraditória a maneira como as corporações exigem “sacrifícios” em nome do bem comum e, depois, simplesmente negligenciam o mérito daqueles que se empenharam para superação dos desafios propostos. É esta cultura que temos que mudar, e devemos começar no nosso dia-a-dia pessoalmente e junto aos nossos “pares” no trabalho.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  7. Excelente, Rodrigo.

    A abordagem sobre o sucesso, e a sua ponderação sobre a polarização longevidade profissional X flashs da vitória, é de facil assimilação.

    Isso é claro em sua comparação entre Felipe e Rubens. Não há como negar que a carreira do segundo é muito bem sucedida, principalemente se levarmos em conta que muito outros pilotos, que até venceram mais que ele, tiveram carreira mais curtas e cairam no esquecimento mais rapidamente.

    Tive um professor que dizia que o sucesso não está no cargo que se alcança, mas nos projetos que você conclui com exito. Por isso vemos menos presidentes nas empresas que diretores, gerentes e assim por diante.

    O exemplo dos boxeadores foi ótimo. A maioria das empresas pensam em seus colaboradores como personagens de vídeogame: depois de levar uma bela “porrada” se levanta como se nada houvesse acontecido.

    Já incorporei essa figura de imagem em minhas proximas explanações.

    Siga em frente, amigo.

  8. Esqueci de falar da imagem do Ayrton.
    Nela se percebe o quanto foi duro chegar lá!

  9. Caro André,

    seja sempre muito bem vindo!

    Sobre Rubens, se pensarmos na sua trajetória no automobilismo, e nos sacrifícios que foram feitos por ele e sua família, seu sucesso torna-se evidente. O início da carreira dele foi viabilizado pela venda do único carro da família, um Fiat 147. Confesso que fico impressionado ao pensar que anos depois ele veio a pilotar uma Ferrari. Em termos de sucesso, busco sempre avaliá-lo e procurar sua medida fazendo uma projeção pessoal – “O que é sucesso para ele?”

    Concordo absolutamente com o seu Professor, pois, há sucesso em todas as fases da carreira e nos diferentes níveis hierárquicos. O problema é que vivemos numa sociedade de laço social vertical, onde buscamos o ponto de referência acima, como se não fosse possível obtê-lo em outros direções. É preciso mudar isso.

    É justo dar crédito a quem direito. A figuração dos boxeadores surgiu em conversas com um grande amigo (Cristiano F.) e na época colega de trabalho. Ela representava a maneira como nos sentíamos naquele momento, num determinado projeto.

    Com relação ao Ayrton, aquela foto me impressiona por sua clareza de significado. Também fiquei impressionado com algumas entrevistas que pesquisei e, em especial, com uma concedida em 1986 antes mesmo de ser campeão. Recomendo vivamente que veja esta entrevista.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  10. Boa matéria para nossa reflexão Rodrigo !!!

    Suas comparações tanto da F1 quanto do boxeador, me fizeram em apenas alguns instantes refletir sobre o quanto é importante esta celebração e o quanto já colocamos nossos colaboradores para correr uma corrida atrás da outra e lutar na sequencia após um belo nocaute! Independente da complexidade ou não das atividades o importante é alcança-los mas não nos esquecermos das pessoas. E um ponto importante das suas observações é que, com as celebrações o fato fica marcado e dá mais motivos para novas ações ,já que as atividades, processos , ferramentas e projetos são movidos por pessoas.

  11. Caro Renato,

    seja sempre muito bem vindo!

    Fico realmente feliz que este texto tenha possibilitado reflexões tão importantes. Sinceramente, acredito que a motivação é a força motriz das organizações, e não o medo. Mais que atividades cotidianas estamos a cada atividade construindo a história das corporações e também nossas próprias histórias. Neste aspecto, os marcos tornam-se importantes também para nossas biografias.

    Obrigado por suas considerações.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

  12. Prezado Rodrigo,

    Começar a semana visitando seu blog é ótimo para organizar idéias. E estabelecer metas na carreira e vida pessoal.

    Minha esposa têm o hábito de sempre abrir um vinho quando conquistamos algo, por mais simples que seja. Mesmo que ela mesmo, beba apenas um gole e não mais que isso, por não ser apreciadora de etilicos.

    Lembro-me que após a instalação de um simples toldo, na noite que cheguei em casa havia um vinho lá na mesa e duas taças. Eu falei em tom jocoso:
    -Brinde para um toldo, você não está exagerando?
    Ela me repreendeu, dizendo:
    “- Não para UM toldo. Mas para O projeto toldo, e cumprimos ele com o custo, prazo e qualidade que queríamos. Se trata de realização”

    A mensagem foi clara!
    Celebrar marcos.
    A celebração dos esforços empreendidos solidifica o desejo de sempre fazer o melhor e continuar a fazê-lo. A negligência disso, faz com que empresas percam pessoas e talentos, até por menos do que estão habituadas a pagar.

    Quanto ao comentário do André Maia acerca da expressão do Ayrton, excelente observação. Seu rosto mostra, sem dúvida, a expressão marcante de vitória/sucesso cavado, esculpido.

    Abraços à todos.

    Abian M. Laginestra

  13. Caro Abian,

    seja sempre muito bem vindo!

    Como já registrei em outras oportunidades, suas colocações enriquecem os temas me proponho abordar. Agradeço sua disponibilidade em registrá-las aqui.

    Achei fantástica a história que relatou. Ela traduz o sentido que desejei dar a este texto. Você e sua esposa celebram entre outras coisas o prazer pela companhia um do outro. É este o sentimento mais presente nas relações pessoais e que também desejo ver nas corporações. Este é o verdadeiro reconhecimento.

    Com relação a expressão do Ayrton, ela também me impressiona muito. Faço a você a mesma recomendação que fiz ao André, que assista a entrevista concedida por ele em 1986, antes mesmo de ser campeão.

    Forte abraço!

    Rodrigo Campos
    Diretor Presidente

    Allegro Business Group

Deixe um comentário