Chegar ao Topo.

Por Rodrigo Campos

A abordagem clássica sobre carreira nos ensina a planejar, focar e organizar nossas ações em benefício de determinados objetivos. O caminho para o sucesso é descrito como uma escalada. Tal qual o alpinista, o profissional deve definir sua meta, estudar, planejar, equipar e executar seu plano rumo ao topo.

Vamos tomar como exemplo a escalada do Monte Everest. As dificuldades são sabidamente enormes e os erros podem ser fatais. Muitos desistem, outros ficam pelo caminho, os poucos que alcançam o topo lá ficam por pouquíssimo tempo, há aqueles que padecem ao deixá-lo e ainda há quem volte a visitá-lo.

Desde 1921, várias tentativas de chegada ao topo do Everest foram feitas. Até o final de 2001, 1491 pessoas conseguiram 172 não retornaram. Em 1924, George Mallory e Andrew Irvine, britânicos, fizeram uma tentativa da qual jamais retornaram. Não se sabe se atingiram o pico e morreram na descida, ou se não chegaram até ele, já que o corpo de Mallory, encontrado em 1999, estava com objetos pessoais, mas sem a foto da esposa, que ele prometera deixar no pico.

A primeira ascensão foi feita pela expedição anglo-neozelandesa em 1953, dirigida por John Hunt. Em 1975, Junko Tabei tornou-se a primeira mulher a alcançar o topo do Everest. A primeira ascensão sem oxigênio foi feita por Reinhold Messner e Peter Habeler em 1978. Em 1980, Reinhold Messner efetua a primeira ascensão solitária. Em 2001 Erik Weihenmayer foi o primeiro alpinista cego a atingir o topo.

O Monte Everest continuará no seu lugar sempre disponível para receber novos alpinistas. Não é o Everest quem desafia o alpinista, é o alpinista que se sente desafiado por ele. O que fazer depois de alcançar o topo e como lidar com a impossibilidade de conseguir fazê-lo? Se bem sucedida, até que ponto essa conquista nos nutri? Se mal sucedida, até que ponto o insucesso nos afeta?

Nossa sociedade tem como característica o laço social vertical, onde buscamos o ponto de referência “acima” de nós. Mas, será que não há sucesso ao nosso lado?

Apesar de gostar de escalar, admirar e buscar inspiração na coragem dos alpinistas, vejo que para alguns o topo não é o lugar a ser alcançado, e para esses o sucesso pode estar em outros lugares, até mesmo em planícies.

Sucesso é chegar onde desejamos ou mesmo decidir seguir para outro lugar.

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Rodrigo Campos .:. Diretor Presidente do Allegro Business Group. Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.

Plaxo

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12 Respostas

  1. Mas a perseverança e o sonho de algo acima de nós deve sempre permanecer, mesmo que o que nos faria felizes esteja ao nosso lado ou que consigamos atingir nossos “Montes Everstes”.
    Um abraço,
    Cristiana

  2. Rodrigo,

    Obrigado pelo texto, oportunidade esta de refletirmos sobre o que estamos buscando.

    Aconteceu comigo: Tinha uma meta para a carreira, e quando atingi continuei lutando, trabalhando e correndo, até que me perguntaram para onde eu estava indo, e eu não soube responder.

    Esta claro que o planejamento deveria ter sido atualizado, mas não foi por diversos motivos, inclusive o da própria correria do dia-a-dia, além do fato de que muitas vezes somos levados a aceitar o planejmanto de carreira que a própria empresa exige, ou o que a sociedade aceita como saudável e correto para uma carreira de sucesso.

    A grande questão é repensarmos nosso planejamento constantemente e nos perguntarmos se estamos fazendo realmente o que queremos.

    Depois disto uma boa dose de coragem e humildade para fazermos os ajustes necessários: Retroceder cargos, mudar de área, ou simplesmente aceitar que continuar como técnico a assumir um cargo de gerência, fazem parte sim de atitudes de profissionais de sucesso, e não somente de pessoas que não querem “subir na vida”.

    Abraços

  3. Caro Rodrigo,

    Excelente e, como sempre, oportuna reflexão. Independentemente das figuras de linguagem que qualquer um de nós prefira utilizar, o que faz todo o sentido é que, ao contrário do que ocorre com os alpinistas, que buscam todos o mesmo Everest, cada um de nós profissionais tem o seu próprio monte a escalar.

    A diferença básica é que temos a felicidade de escolher a altura, a quantidade de oxigênio e até a posição geográfica dos nossos montes, e ainda poder mudar tudo isso, sempre! Talvez o nosso maior desafio seja aprender a submeter nossas escolhas, nossos caminhos e nossas metas àquilo que se traduza em satisfação e realização, aí então conheceremos a altura e a posição dos nossos montes, e então poderemos escolher se queremos ou não escalá-los.

    Um grande abraço,
    André

  4. Volta a transcrever aquí que você sempre lança alguma coisa no ar para nos atingir e pode acreditar que são reflexões que até parei neste momento e com certeza nunca é tarde para recomeçar, só completaria dizendo que, o sucesso seja qual for a sua busca, tem que sempre estar balanceado ou seja, lado profissional x lado pessoal e aquí vou mencionar o que sempre mencionei nas empresas por onde tive a oportunidade de marcar alguns pontos com sucessos e insucessos que, devemos sim vestir a camisa, mas não apenas uma e sim 2 camisas a da empresa onde atuamos e da família onde nos apoiamos sempre.
    Grande Abraço e parabéns!!

  5. Talvês a pergunta aqui seja a seguinte:
    O alpinista quando chega ao topo, está tentando vencer a montanha ou a ele mesmo?

    O objetivo dos atletas e de alguns aventureiros como Gerard Moss e Amyr Klink, não é a prova em si. É a superação de seus limites.
    Gerard Moss, em sua viagem ao redor do mundo em um monomotor, descreve o seguinte: “cada vez que movia a cabeça, os compassos do motor pareciam diferentes. No peito, um doloroso latejar de medo….”
    Mas a viagem foi feita. O prazer de conhecer o desconhecido, inclusive dentro de si mesmo, foi a grande recompensa.

  6. Grande Rodrigo mui belas suas considerações.
    Suas palavras vão ao encontro das minhas e na contramão do que o mundo coercitivo que vivemos prega. Somos tentandos a todo momento a concordar com o fato de que somente os primeiros sobrevivem e que sucesso financeiro além de crucial e consequência das vitórias do dia-a-dia.
    Ser vitorioso em minha opinião é sobreviver de modo digno e reto numa sociedade em que os principios basilares que tinhamos outrora são pouco mais que lendas, historinhas de conto-de-fadas.

    Abraços a todos.

  7. Rodrigo

    O fechamento deste post foi genial, para nossa reflexão pessoal, principalmente em relação a nossa carreira. Pois precisamos muitas vezes entender que nem sempre nossos objetivos podem estar num topo, mas realmente numa planície, como bem deixou exposto.

    Abraços

  8. Prezado Primo,

    Esta mensagem realmente nos faz refletir a nossa vida, principalmente o que diz respeito a carreira na busca de uma ascensão profissional e o que é mais difícil ainda que é o alcance de nossa auto realização.

    Estou no momento passando por mundaças de cunho profissional.

    Um abraço.

    Edmar

  9. “Sucesso é chegar onde desejamos ou mesmo decidir seguir para outro lugar”

    Querido Rodrigo,

    que verdade! nunca revelada…, atualmente vivo esta realidade, o meu sucesso está em outro lugar, em outra situação, em outra vida.

    Creio que a nossa busca é infinita, o mais difícil talvez seja a nossa capacidade em sermos flexíveis, provalvelmente em gerenciarmos as nossas mudancas.

    Obrigada pelo lindo texto,
    Maria

  10. Excelente texto, que além ser o ideal do na vida de qualquer montanhista, também deveria ser aplicado a todas as características da vida humana.

    Abs

    Levi Rodrigues
    http://www.cordadainfinita.blogspot.com

  11. Obrigado pelas palavras.
    Como disse Andre Bechuate num dos comentários, cada um tem a sua montanha. Mas o importante é saber qual é montanha que queremos e escalar. Depois escolhe-se outra maior e escalar, depois outra, e outra….

  12. Acredito que o importante é escalarmos a montanha que existe dentro de nós, que vai de encontro aos nossos anseios e necessidades e que nos faz felizes. O caminho que leva ao sucesso não é uma via de mão única, pode ser no alto para alguns, para outros pode se na lateral esquerda ou direita, tem algumas pessoas que até preferem a base e são felizes.
    Abraços,
    Maria C Rodrigues

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