Experiência é Poeira na Bota.

Por Rodrigo Campos

Tem sido um erro comum organizações confundirem profissional sênior com senil. Penso na energia que gastamos em nossas organizações com situações onde a experiência simplificaria inúmeras tentativas em acertos objetivos.

Não estou simplificando problemas corporativos como sendo a repetição de questões já vividas, embora isso possa de fato ocorrer. Aqui afirmo apenas que a experiência pode ajudar muito na busca de soluções pela comparação de cenários, ações, resultados e efeitos.

As organizações modernas devem buscar construir com o auxilio da tecnologia da informação e suas ferramentas de software um repositório de conhecimento. Contudo, não creio que por essa possibilidade seja ignorada outra base substancial de conhecimento – a experiência do profissional.

Vejo novos profissionais que optam por “tentar” ao buscar conselhos com quem de fato poderia lhes dar orientação e, por isso, incorrem em erros que poderiam ter sido evitados. Com isso, geram conhecimento que pode não ser repassado novamente adiante. É aí que reside o alto custo do erro.

Trabalhei com grandes profissionais que me orientaram ao longo da minha carreira aos quais chamo de “Meus Mestres”. Não sei se os encontrei ou se fui encontrado por eles. O que posso afirmar é que a eles devo boa parte do êxito profissional e pessoal que obtive e que ainda irei alcançar.

Nunca tive a vaidade de superá-los, pois, desejei sempre ser um bom aprendiz. É o Mestre quem deve escolher e preparar o seu sucessor. É essa atitude de aprendizado que vejo ser perdida atualmente. O novo profissional por um impulso territorial irracional quer ficar livre dos “velhos” que muito poderiam lhe ensinar.

Certa vez, escutei um grande profissional desabafar: “Como posso preenchê-los com algo de valor se já estão tão cheios de si?”, e completou: “Se o caminho se faz caminhando…eles têm que respeitar a poeira que já carrego na minha bota”.

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Rodrigo Campos .:. Diretor Presidente do Allegro Business Group. Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.

Plaxo

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14 Respostas

  1. Caro Rodrigo

    Seu artigo aborda um tema que venho enfrentando como problema há algum tempo.

    Sou consultor empresarial há 23 anos e nos 23 anteriores fui executivo em várias situações. Espera-se que eu tenha grande experiência. Além disso, sempre me atualizei. Pelo menos uma vez a cada dois anos vou ao exterior fazer um curso de aprimoramento de meus conhecimentos. Entretanto, está muito dificil de obter projetos/trabalhos, muito provavelmente devido à minha idade, 63 anos.

    Gostei do que você escreveu, mas acho que ajuda muito pouco a resolver essa situação de senior = senil.

    um grande abraço

    Claudio

  2. Boa dica, Rodrigo!
    Nós mais jovens realmente temos que cuidar dessa “vaidade” que você falou e sermos bons aprendizes…

  3. Querido Rodrigo,

    Me senti muito grata ao ler este texto pois sempre tentei repassar o meu conhecimento e a minha experiencia para os mais jovens e para os mais próximos, nem sempre eles sâo 100% receptivos, mas devemos ter paciencia e saber a hora exata.

    Quando somos apaixonados pelo nosso trabalho este detalhe é muito importante para que possamos nos sentir em uma estrada de mão dupla, cada oportunidade nos agrega conhecimento e profunda satisfação.

    Maria

  4. Caro Rodrigo

    Excelente texto.

    Levo comigo uma frase que meu sábio tio certa vez me falou: “Você aprende com quem sabe”.

    E tenho constantemente validado esta frase.

    Forte abraço.

    Patrícia

  5. Olá Rodrigo,

    Muito bom este texto, entretanto fiquei um pouco preocupado com o “outro lado da moeda”, explico:

    Atualmente estou lendo o livro o oitavo hábito de Stephen Covey e achei bem legal o conceito de paradigma que ele exemplifica comparando como se fosse um mapa, não adianta eu TER qualidades fantásticas, esgotar todo meu potencial se estiver me orientando com o mapa errado, aqui em Curitiba, tenho que usar o mapa de Curitiba, em São Paulo, o mapa de São Paulo e assim por diante.

    Infelizmente a experiência pode ser perigosa, porque o gestor tem a tendência de dar antigas repostas a novas perguntas ou ainda soluções antigas a novos problemas, ou seja, usar o mapa errado. É claro que eu estou falando de gestores que também estão cheios de si e não buscam estudar, pesquisar e se atualizar, o que cá entre nós, está cheio disso por aí.

    Eu mesmo já trabalho há 20 anos na área de informática e vejo que não tem como ficar sem estudar, tenho que dar novas soluções a novos problemas na maioria dos casos, as vezes vou lá no baú e tiro uma carta da manga que funciona muito bem. Meu saudoso pai sempre me dizia: “Meu filho, hoje em dia você tem que correr para ficar no mesmo lugar”.

    A experiência é um diferencial sim, respeitar “a poeira da bota” é para quem tem humildade, mas saber usar o mapa certo é pra quem tem sabedoria e com certeza os nossos sêniors têm uma larga vantagem a nossa frente.

    Abraço,

    Ulisses Jansen

  6. Caro Rodrigo,

    De alguma forma, esse seu texto me remete ao outro, aquele sobre o farol. Notemos que faróis e mapas (do Sr. Jansen) têm uma relação muito chegada.

    Você falou algo sobre o mestre escolher o sucessor. Isso pode nem sempre dar certo. Lembro-me de simpatizar bastante com um subordinado. Eu o achava inteligente e apto a me superar em muitas coisas. Passei a colocá-lo em situações pouco confortáveis por saber que essas situações o levariam a um aprendizado único. Eu tentava construir com ele as soluções para essas situações. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir, meses depois, que ele pediu para mudar de setor, dizendo que se sentia muito pressionado. Ele preferia o conforto de não ter desafios ao sabor de vitórias suadas.

    Creio que no mundo corporativo, o mesmo pode vir a acontecer. Você pode escolher um sucessor e gastar tempo e energia para encher um pote furado. Talvez o melhor seja o dedicar-se a ensinar aos que buscam o seu conhecimento. Aprender com quem quer dominar uma ferramenta, e não apenas receber uma resposta.

    Felicidades e muita poeira para nossas botas.

    Aloysio

  7. As organizações são as principais culpadas por esta postura, uma vez que elas promovem um ambiente altamente competitivo em seus setores. Quem entra quer superar os que já estão e os que já estão escondem as botas para manter seus empregos.

    - Fala-se muito em tirar o máximo dos funcionários, mas quem realmente consegue isto? Quem está disposto há isso? Há muita disposição para mostrar serviço, para alcançar resultados, mas nenhuma para estimular subordinados. Há muitos gerentes e pouquíssimos líderes. O grande problema é que geralmente a culpa recai sobre os “liderados”. É muito bonito chamar os subordinados de parceiros, mas por trás disto há uma postura leonina.

    - Toda empresa quer que os funcionários vistam sua camisa, mas quantas vestem a camisa de seus funcionários? Toda empresa quer colaboradores, mas quase nenhuma quer colaborar com eles.

    - No caso do Aloysio, creio que seria muito mais sensato avisar o tal subordinado que ele seria alocado no setor X para adquirir experiência. Isto porque cada um possui seus próprios objetivos e conceito de sucesso. Certo tipo de desafio pode ser motivador para uns e não para outros. Então acho muito complicado afirmar que ele não gosta de desafios e do sabor de vitórias suadas. Dependendo da meta profissional que ele traçou, o desafio proposto pode facilmente ser encarado como perda de tempo. Para que perder tempo com algo que nada agregará para que certo objetivo seja alcançado?

    - Alguns “mestres” não querem um sucessor para seu trabalho, querem apenas uma cópia renovada de si mesmos.

    No final o ciclo vicioso prevalece.
    “Quando em Roma, faça como os romanos”…

  8. Ola, Rodrigo.
    Esse é mais um daqueles temas que daria pra se escrever um livro.
    A gestão do conhecimento, quando utilizada, por uma organização tende a harmonizar o jogo do poder entre os diversos setores da empresa, pois fazem com que entendam que a empresa é uma só.
    A gestão do conhecimento, também, é algo que exige disciplina de toda a organização, da alta gestão ao operacional. A alta gestão para incentivar e prover os meios para os registros e todos os outros níveis, coletando informações e organizando um banco de dados (Não necessariamente em meios computacionais) das experiências adquiridas.
    E por esse principio de envolvimento, egoísmo “não dá liga”.

    Muito boa também a sua metáfora “Experiência é poeira na bota”, Ou seja, ela só serve se exercitada, com os pés prontos para novos caminhos e novas topadas.

  9. Admirável Rodrigo!
    Li o texto e faço das palavras de Ulisses jansem as minhas. Apenas completo com uma frase do notável Guimarães Rosa, “mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

    Grande abraço e muita poeira….

  10. Rodrigo,

    muito se fala em Knowledge Management e Lesson Learned nas organizações, nas formações acadêmicas e nas boas praticas de mercado, porém pouco ou quase nada se faz nesta direção dentro das nossas organizações.

    São discursos bonitos que os atuais executivos usam ou mesmo apresentam em suas palestras, porém quando o discurso deve se transformar em realidade, estes mesmos executivos mal conseguem convencer a própria organização em batalhar pelos recursos e orçamentos necessários. Há uma distancia muito grande entre o discurso e a realidade, de qq forma, tbm vejo que este é o caminho, e de uma hora para outra, vamos acordar para esta realidade.

    Para finalizar: “Quem espera da experiência o que ela não pode dar afasta-se da razão” (Leonardo da Vinci), “Paciência e tempo dão mais resultado do que força e a raiva (Jean de la Fontaine)” e “O mundo é dividido em duas categorias: erros e desconhecimentos (Francis Picabia”. Parabéns, como sempre, pelas suas matérias.

  11. Caro Rodrigo,
    Sempre brilhante em seus assuntos. Parabéns a você e aos demias colegas cujos comentários são preciosos. No meu ponto de vista, a tratativa do conhecimento é um assunto amplo, de alcance indescritível. Cada qual em sua experiência tem própria forma de captar o conhecimento e seu meio pessoal intransferível de repassá-lo a outrem. Cada cérebro é próprio e sem igual, e creio que seu conteúdo e o meio de manter as informações assim também lhe é pessoal. Isso posto, bondoso aquele que “tenta” passar o que aprendeu. Dedicado, aquele que ensina como aprender.

    SDS à todos,
    Paulo Valerio F. Jr.

  12. Caro Rodrigo
    Como de costume, você traz mais um tema palpitante para reflexão de todos nós. Evidentemente a realização das Lições Aprendidas ainda não se tornou uma prática corrente em nossas empresas, embora já seja no discurso dos dirigentes. A experiência, um valor tão arraigado na cultura das empresas e das pessoas em gerações passadas já não ocupa mais posição de destaque nas gerações atuais. Uma pena. A falta de tempo da vida moderna já não mais permite o ensinamento metódico. Privilegia-se o aprendizado através da tentativa e erro. Os resultados? Só o futuro dirá. Estive pensando nisso ultimamente, o que me levou a escrever em meu blog um artigo chamado “Obsolescência do ser humano”. Acho que é isto mesmo. O homem está ficando obsoleto.
    Abraços…Marcelo Dutra

  13. Rodrigo,

    Certa vez um professor de filosofia comparou o conhecimento a um copo. Se ele está cheio, ao colocarmos liquido ele transbordará. Ele disse que o copo também não pode estar completamente vazio porque assim, estaremos somente repetindo aquilo que nos foi passado. Agora, quando o copo está pela metade, podemos misturar os dois liquidos e fazer delicioso “Drink”. É aí que está o principio da produção de conhecimento!!!

  14. Rodrigo,

    Muito elucidativo seu texto, sempre tive comigo algumas interrogações, será que só tecnologia, só teoria é capaz de acender e executar idéias?Será que o que aprendemos no decorrer do anos com estudos e com a prática não ajudaria na formatação destas idéias?
    Pois bem, quem passou por toda uma vida de experiências e histórias, hoje é chamado de no máximo de “Macaco velho” e muitas vezes tem seus ensinamentos cerceados e até mesmo marginalizados.
    E com certeza ,no final, o perdedor será aqueles que só entendem o que está escrito nos livros e então terão como consolo alguns livros de história.

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