A Teoria do Quarto.

Por Rodrigo Campos

Vejo alguns Gerentes de Projetos e outros profissionais neófitos cheios de certezas sobre muitas coisas, mas desorganizados em seus pensamentos e abordagens.

Eles dominam siglas, técnicas, tecnologias e ferramentas, mas não conseguem organizar suas rotinas. São apressados embora estejam normalmente atrasados em suas atividades, não raramente estão estressados e têm sempre “coisas” muito importantes e exclusivas a fazer.

Discuti essa percepção numa viagem ao Rio de Janeiro com um grande amigo e também consultor, o Sr. JMB. Esse bom amigo, que possui grande vivência corporativa e conhecimento filosófico, desenvolveu uma teoria simples, inteligente e, sobretudo, bem humorada para tratamento dessa questão que mereceu nossa atenção por algumas horas. A base da teoria é: “Organize seu quarto e prepare a mente para resolver outras questões”.

A Teoria do Quarto, como ficou batizada, parte do princípio que os motivos que levam um indivíduo a procrastinar a organização do seu quarto se manifestam em outras áreas da sua vida social, afetiva e profissional. Então, o ato simbólico da organização do quarto começa a corrigir esse mecanismo de uma maneira ampla.

Conversamos nesta semana e ele me garantiu que colocou a Teoria do Quarto à prova e garante que ela funciona. Sua primeira experiência foi feita em casa, na sua própria prole com a observação de resultados bem favoráveis.

Percebi que a Teoria do Quarto contrariava a Teoria do Caos, pois, prega que tudo tende à organização. Diante do dilema sobre qual seria a teoria mais válida resolvi aplicar o princípio da Navalha de Occam e optei por ficar com aquela portadora de um principio mais simples e, por tanto, mais verdadeiro.

É claro que resolvemos abordar uma questão, que consideramos séria, pela via do humor. Porém, o resultado da “brincadeira” se apresentou como algo coerente.

A Teoria do Quarto torna possível uma abordagem mais suave e, por isso, mais possível de aceitação junto aqueles que identifiquei como profissionais neófitos.

Pergunte aos seus colaboradores: Como anda a organização do seu quarto?

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Rodrigo Campos .:. Diretor Presidente do Allegro Business Group. Consultor atuante no mercado de tecnologia da informação e logística há mais de 15 anos.

Plaxo

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18 Respostas

  1. Grande Campos, este nosso amigo havia me falado desta teoria e eu aproveitando de um momento de disposição para “testar” métodos melhores para a vida, resolví por em prática.

    A primeira visão, você julga como algo sem importância afinal “o que um cd fora da caixa tem haver com a atividade relacionada ao projeto?” Cientificamente eu não sei, mas para mim funcionou e passei a praticar um nível maior de organização nas minhas coisas.

    Forte abraço!

  2. Rodrigo,

    Muito semelhante a essa teoria é a “teoria do banheiro”. A teoria do quarto é muito interessante porque analisa de uma forma individual a tendência organizacional da pessoa. Meu pai sempre me dizia: “Se você quer conhecer a família da sua futura esposa, peça discretamente para ir ao banheiro, se for limpo e arrumado é um grande ponto positivo”. A teoria do banheiro supostamente desenvolvida pelo meu pai, analisa o grupo e não um indivíduo, já que todos utilizam o mesmo local.

    Claro que isso pra mim é uma brincadeira também, não é um elemento conclusivo, mas olha que esse indicador tem dado certo.

    Grande Abraço!

  3. Permitam me por um pouco de desordem em nossas idéias.

    Conheço muitas pessoas que tem seus quartos arrumadissimos. Contudo, nem todos são organizados em suas atividades diárias. Diria até mais, proporções equivalentes de bagunceiros e arrumadinhos, tem na mão seus afazeres diários.

    Não sei vocês lembram do livro, Síndrome de Cinderela. A principal crítica a este ele, foi o fato de sua escritora basear-se em fatos pessoais para justificar sua teoria.

    Voltando ao dilema do quarto organizado, o que observo é que os arrumadinhos tem tendência para burocracia e acomodação. Não suportam novidades, pois isso representa para eles que suas experiência anteriores podem não se aplicar. São menos criativos e inventivos que os bagunceiros.
    Não estou dizendo aqui para que as pessoas não procurem organizar suas coisas, pois assim serão mais criativas e preparadas pra o novo. O que observo, mesmo sem critérios científicos, é que não devemos julgar o grau de controle de uma pessoa, sobre suas atividades, pela aparência do seu quarto.

    Ainda lançando uma indagação: O quarto arrumdado é causa ou efeito da organização de idéias?

  4. Pois é, concordo com o André Maia. Existem pessoas que são organizadas em algumas áreas de sua vida e desorganizadas em outras. Existem pessoas que tem o seus quartos muito bem organizados e os seus escritórios são uma verdadeira bagunça, ou então a sua garagem/oficina é um caos total. E vice-versa. Porém, o artigo e a idéia é muito útil, no sentido de prestarmos a atenção para aquelas áreas onde somos organizados e onde planejamos bem e procurarmos transferir isto para as demais áreas de nossa vida. Como Coach tenho orientado meus clientes neste sentido com resultados fantásticos. Usando a PNL podemos fazer o cliente “transferir” boas práticas de uma área de sua vida para outras.

    Rodrigo, agradeço muito os seus artigos. Sempre nos propiciam bons momentos de reflexão. Abraços.

  5. Rodrigo,

    Parabéns pelos textos, gostei de conhecer.
    Vim pela mensagem da Plaxo.
    Está no meu Favoritos, voltarei.

    Um abraço,

    Horácio

  6. Não é o quarto arrumado ou desarrumado que importa.

    O que importa é o ato de arrumar.

    Porque o movimento faz com que entremos num estado de reflexão, e quando terminamos de arrumar nso sentimos capazes de enfrentar desafios cada vez mais complexos.

    É uma metáfora que interfere em como a pessoa se sente no momento.

  7. Muito interessante o texto, Rodrigo. Sugiro que, ao decidir por mudar atitudes, o organizador do “novo” quarto adote a prática dos 5 S, que o SEBRAE descreve como D´OLHO – Descarte, Organização, Limpeza, Higiene, Ordem Mantida.

  8. Para mim esta filosofia faz todo sentido, pois quando quero organizar as minhas atividades no trabalho e não sei por onde começar sempre organizo os papeis e pastas na minha mesa e armario. Guardo documentos já revisados e acabo fazendo diversas anotações que acabam por priorizar as tais atividades.

    É um momento de trabalho físico onde a mente é menos exigida e fica livre para trabalhar.Começar no quarto deve abrir a mente para fazermos este planejamento diário.

    Não tem nada a ver com ser bagunceiro ou organizado demais, mas com liberação dos pensamento.

    Abraços,
    Miriam

  9. Olá,

    veio, achei essa ideia muito interessante. Por conta disso, estou postando no site do nosso Centro Academico de Economia. Qualquer coisa, me avise.

    obrigado e Deus continue te dando entendimento nas coisas simples da vida.

  10. Colegas, mais uma vez uma bela apresentação de Rodrigo. Parabéns mais uma vez. Não me arrependo em nada de ter iniciado a leitura de seus artigos tempos atrás.
    Penso que a teoria do quarto, além de verdadeira e muito útil, deve ser adotada também para organizar alguns pensamentos que vemos no dia-a-dia. Se conseguissemos jogar fora nossos sensos comuns, nossas convicções e ouvissemos com maior frequência nossos colegas de equipe, conseguiariamos alcançar maiores resultados em nossos objetivos.
    Um cordial abraço a todos.

  11. Rodrigo e demais colegas,

    A teória do Quarto é bem interessante, mas se basea em principios já bem difundidos, assim como o 5S e outros principios de Organização, onde tem a sua base voltada para a organização, de forma simples um individuo organizado seja no seu quarto, banheiro ou sua sala, será sempre um individuo organizado em seu dia a dia profissional, tanto em projetos ou suas rotinas profissionais diárias, então o importante e ser organizado.

    Abraços a todos

    Edson Almeida Jr

  12. Rodrigo, muito interessante. Realmente é uma metáfora eficaz pois como outros colegas disseram, não é pelo fato de ter um quarto arrumado que pode-se afirmar que você realiza um bom trabalho.

    Entretanto, se ao final da sua atividade, tudo estiver no seu devido lugar (serve para diversas situações cotidianas) é provável que a atividade também teteja resolvida a contento.

    E o ato de “arrumar a mesa” tem exatamente esse efeito de liberar a mente para vasculhar itens, de forma quase incoerente, até que ao final você conseguiu fazer um bom brainstorm individual. Daí é só se organizar.

  13. A formulação da Teoria do Quarto:

    Rodrigo, naturalmente em momento algum passou pela minha cabeça dar um nome tão íntimo a um nosso discurso de um conceito que na verdade é íntimo. Daí, parabéns pela escolha do nome.

    Existe uma forma que pode nos levar a certo conforto neste mundo extremamente dirigido para a busca da previsibilidade e padronização, que é a leitura subjetiva. Leitura subjetiva é aquilo que praticamos na busca de o maior número de informações possíveis para agregar ao nosso processo decisório, seja ele qual for. Nada deve escapar à leitura subjetiva, principalmente imagens. Neste contexto a imagem que geramos e a interpretação de seu papel no contexto pode retornar como conteúdo de aprendizado.

    A busca da sustentação da idéia da Teoria do Quarto tem como fonte a questão da educação mental baseada na transmissão estética, e, portanto ao tornar o nosso redor esteticamente organizado, aumentamos a chance de nosso cérebro ir aprendendo com isso e naturalmente ir tornando-se organizado. Veja a influência do modelo de metrópoles organizadas em seus ocupantes, considerando que o inverso também é válido: Ocupantes organizados geralmente geram metrópoles organizadas.

    Nada nos garante que tomar como base somente experiências passadas conseguiremos dar sucesso às nossas novas decisões. Portanto ao “arrumar” a nossa mente dentro de novas estruturas visuais organizadas, poderemos ter a chance de nos basear em novo modelo organizado. Não existe nada sofisticado nesta busca e sim a vontade de que o ato de organizar o pensamento passe a ser incorporado tal qual o de escovarmos os dentes: incorporado, sem neurose – alguém aqui considera neurose escovar os dentes três vezes ao dia? Quem gosta de conversar com pessoas Reativas? O ato da reatividade notado em um número muito grande de pessoas pode estar relacionado ao fato de que a mente está desorganizada, reage a estímulo, a impulso. Os “reativos” quase sempre nada escutam do que você está falando. “Para ouvirmos, é necessário calar a voz interior”. Cale a voz interior de seu quarto organizando-o e pedindo a ele que no silencio ensine sobre aquele algo novo que você está dando a ele. Utilize-o.

    Naturalmente poderemos estender o nosso aprendizado a uma organização mais sofisticada que seria mais ou menos aquilo que vemos em filme de espionagem: Após a organização, dar uma olhada rápida no ambiente e passarmos a descrever todos os detalhes captados. Isso já é demais né! Mas imagina o impacto que seria em uma reunião com o seu Cliente você dominar todos os aspectos e conteúdo de informação da sala dele. Anteriormente isto foi citado neste blog sobre a utilização de PNL. Pois é: Porque não PNL no nosso quarto? Porque não 5S em nossa mente.

  14. Realmente é uma comparação curiosa… Realmente o meu quarto começou a ficar mais organizado, quando passei a ser mais organizado de uma maneira geral, principalmente no meu trabalho. Fez sentido para mim… Quando estive em depressão profunda por problemas pessoais o meu quarto refletiu exatamente o que eu sentia, estava uma zona.

  15. Querido Rodrigo,

    Muito boa reflexão, tenho vivenciado e observado este fato inúmeras vezes.

    Já estou indo “arrumar o quarto”.

    Bj
    Maria

  16. Os profissionais de TI também estão cada vez mais ignorando o “Estoque de Conhecimento” dos outros profissionais, um comportamento muito perigoso..

  17. Dei maior valor ao blog… pelo que notei em todos os posts vc coloca uma imagem pra ilustrar, aliás, escolhe muito bem as imagens, principalmente a deste, gostei mesmo.

  18. Rodrigo, concordo com a teoria do quarto, ela ajuda bastante, organização é essencial em todos os campos. Uso de modo diferente a teoria do banheiro, geralmente quando vou almoçar na casa de alguém que não conheço bem, sempre vou ao banheiro. É incrível, como esse tipo de coisa esta relacionado, Um dia um amigo me deu um livro, O Corpo Fala, comentou que o simples fato de uma pessoa permanecer com a bolsa no colo, pode dizer que não esta confortável naquele ambiente, depois que li pude notar que fazia todo o sentido. Obviamente que não podemos aplicar estas regras a todos, mas no geral funciona.

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